segunda-feira, 24 de novembro de 2014

As Desvantagens

Como Vejo o Outro Lado da Coisa...


Se teve uma coisa que tive dificuldade de encontrar nas pesquisas sobre o tijolo solo-cimento (ecológico), foram as desvantagens desse método. Muitos materiais ou são de fornecedores e gente envolvida com o mercado do tijolo solo-cimento ou são de entusiastas que esquecem de registrar também o lado negativo desse método.

Eu acredito que tudo na vida apresenta um conjunto de vantagens e desvantagens. Cabe a cada um fazer uma análise de como a balança pende para algum dos lados quando se avalia a viabilidade de alguma solução. Exatamente por isso que de início fiquei um pouco cismado com a falta de conteúdo que apresentasse as desvantagens do método, pois sem isso a decisão de optar por usar o tijolo solo-cimento fica bastante prejudicada.

No intuito de mudar isso e tornar cada vez mais o Blog Solo-Cimento mais útil, resolvi reunir aqui somente as desvantagens que observei em minha experiência com esse método, não desejando ser a última palavra sobre o assunto. Talvez existam soluções para algumas das desvantagens que vou listar, mas em minha realidade, as enxerguei como demérito comparando com a alvenaria convencional. Avaliem vocês também!

1. Necessidade de mão de obra qualificada e escassez dessa no mercado. Isso é sem dúvida a principal fragilidade do tijolo solo-cimento (ecológico);
2. Baixa popularidade do método, ainda desconhecido ou preconceituado, gerando desinformação e falta de massa crítica sobre o tema. Isso se soma ao item 1 e potencializa a situação. Com o preconceito ou desconhecimento, não há demanda e sem demanda não se formam novos profissionais. É um círculo vicioso que pode e vem envenenando o método; 
3. Falta de padronização e uniformidade entre os tijolos fornecidos no mercado. Cada fabricante produz em medidas próprias, as quais dependem muito do equipamento adotado (a fôrma utilizada pela prensa). Isso prejudica a reposição, troca de fornecedor e reduz as opções do comprador. Mesmo com nominais semelhantes, como por exemplo tijolos de 30 cm de comprimento, tijolos de diferentes fornecedores podem não ser compatíveis por questão de milímetros. Na alvenaria modular, isso faz total diferença;
4. Alta absorção de umidade do tijolo solo-cimento, o que requer maiores gastos com impermeabilização;
5. Dificuldade em se reformar/modificar a alvenaria. Como toda alvenaria estrutural, implica em determinadas restrições em se abrir novos vãos, remover paredes, por exemplo. Além do fato de que se for adotado tijolo a vista, qualquer mudança na alvenaria poderá deixar "cicatrizes" e evidências nos tijolos que foram cortados, modificados, etc; 
6. Preço o milheiro superior a demais alternativas como tijolo cozido, bloco cerâmico, bloco de concreto, etc. Isso o coloca em desvantagem especialmente se houver a intenção de rebocar as paredes, abrindo mão da economia que poderia ser anotada ao deixá-lo a vista, o que pode fazer as contas empatarem ou penderem para outras soluções que não o tijolo solo-cimento (ecológico);
7. Baixa resistência a impactos. Por melhor que seja o tijolo, se não houver certo cuidado, quinas e cantos podem ser danificados ao sofrerem impactos;  
8. Espessura das paredes, seja tijolo de 25 cm (12,5 cm de largura) ou de 30 cm (15 cm de largura), diferem dos padrões adotados para largura dos batentes (geralmente 14 cm). Não é um grande problema ou algo incontornável, poderia ser apresentado como característica ou associado ao item 3, mas é algo a se considerar no projeto para não ter problemas na hora do acabamento;
9. Ao embutir a hidráulica nos furos dos tijolos, fatalmente se terá que utilizar alongadores em registros de gaveta ou pressão, especialmente se houver revestimento na parede. Os registros ficam embutidos na alvenaria, não há muito como contornar isso em registros misturadores por exemplo. Nos adaptadores roscados você consegue afastá-los da face do tijolo, em um registro de chuveiro por exemplo, fica mais difícil. De novo uma característica, mas pesa pra mim como desvantagem;
10. Possibilidade dos furos dos tijolos se tornarem abrigo de insetos e animais. Como se deseja que os furos não sejam totalmente obstruídos, para que se forme uma coluna de ar que reduz a temperatura, proporciona proteção acústica e evapora a umidade da construção, se não for bem protegido, pode trazer alguns transtornos; 


Essa é minha visão da coisa, em ordem da maior desvantagem para a menor. Evitei ao máximo apresentar características como desvantagem, pois são coisas distintas. Exemplo: é uma característica do tijolo ter alvenaria modulada, ou seja, com medidas múltiplas das medidas do tijolo. Não vejo isso como desvantagem e sim característica. Ao mesmo tempo não possuir uma padronização de medidas, já me parece uma desvantagem, uma vez que seria possível o mercado melhorar isso e passar a adotar medidas mais adequadas. No final apareceu uma lista do que mais me incomoda no tijolo, por isso reforço a visão particular e pessoal sobre o assunto.

Não vejo nada aí que seja inviabilizador de um projeto por si só, porém como disse acima, é um conjunto de fatores que irá definir se vale a pena utilizar o tijolo ou não. Creio que isso varie muito de projeto para projeto e não há uma predefinição aplicável. A avaliação vai muito além desses itens e especialmente, além do aspecto custo/economia, o que abordei de alguma forma aqui e devo abordar melhor em outro tópico específico mais adiante.

Alguma discórdia?! Poste nos comentários.







quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Reforma 5

Novos Vãos

<Esse post ficou represado por descuido meu e resolvi postá-lo mesmo assim para fechar o assunto reforma. Trata de uma situação já ultrapassada, porém necessária documentar>

Como item final da reforma que faz parte do projeto, haviam novos vãos para serem abertos. Janelas e portas que não existiam e passaram a ser necessários ou foram mudados de lugar.

Uma nova porta eu já havia mostrado aqui no post inicial sobre o tema Reforma e algumas complicações disso em Reforma 4, onde conto que tivemos que remover uma parede toda para atingir a qualidade necessária. Faltavam ainda duas outras portas, uma para novo acesso à suíte "antiga" e outra que era para ser uma janela desse mesmo cômodo, mas que foi mudada para uma porta balcão de última hora, para compatibilizar com o restante dos quartos e aproveitar a nova varanda com vistas para o fundo.

Esses cortes estão sendo feitos no tijolo antigo, de 30 cm. Isso dificulta ainda mais pois é um tijolo de 15 cm de largura, difícil de cortar mesmo com o disco de corte de 9". O corte tem que ser preciso e delicado, pois não pode danificar os tijolos que permanecerão - o que nem sempre é garantido.

O complicante é que o tijolo é quebradiço, qualquer impacto causa rachaduras e descolamentos. Juntando a isso o fato de desconhecer o posicionamento dos grouts e cintas de amarrações na alvenaria antiga da casa, a chance de efeitos colaterais e indesejáveis se torna grande.

Felizmente o trabalho tem sido feito com o devido cuidado, o que não impede que algum dano ocorra, mas até agora eles são remediáveis. As fotos abaixo mostram uma parede durante o corte e após o resultado final, ainda por ser lapidado.

Vão de porta sendo aberto na suíte que já existia na casa "antiga"

A nova porta adicionada e a antiga janela fechada


Uma antiga porta na casa, quando da época anterior a nossa aquisição

Agora fechada e aterrada em 50 cm da anterior altura do piso

A vista do fundo do único quarto na época (sensação estranha ver essa foto depois de tanto tempo e tantas mudanças...rs)
Embora os tapumes, vejam que as antigas janelas do banheiro subiram e um novo vão de porta foi aberta na parede retratada na imagem anterior
Agora por dentro...o quarto antes da reforma
Voilá! Uma porta se abre. Colunas nas extremidades foram necessárias e ainda seria feito um reforço na altura da laje, para comportar o novo vão

Isso fecha o assunto e mostra claramente as dificuldades e implicações de uma reforma/ampliação na alvenaria de tijolo solo-cimento (ecológico). Esses 5 capítulos (6 na verdade - clique no marcador "Reforma" para ver todos os posts relacionados) são particularmente interessantes pois mostram um lado  que ninguém aborda claramente quando se fala desse tijolo. Procurei intensivamente desvantagens desse método e raramente encontrei algo conclusivo. Eis aqui um: reformas, ampliações, mudanças e adaptações.

Não posso ser defensor cego somente porque resolvi construir uma casa usando o tijolo solo-cimento (ecológico). Para esse blog e meu tempo dedicado terem realmente função esclarecedora e utilidade para as pessoas que quiserem se informar do assunto, tenho que apresentar os dois lados da moeda. Meu blog difere de tantos outros sobre o tema exatamente por isso, por mostrar o lado da reforma, as dificuldades e problemas que resultam disso. 

Nada mais correto então em deixar bem exposto esse fato: mexer na alvenaria pronta é um trabalho muito ingrato. Isso não aconteceria numa alvenaria convencional. É uma desvantagem, até pode ser aceitável, tolerável e passível de contorno (um projeto com isso previamente pensado por exemplo), mas com certeza será um momento de grande dor de cabeça e talvez resultados não tão perfeitos como se espera. É para mim - até o momento - a grande e única realmente considerável desvantagem do tijolo ecológico. Isso tem que ficar claro, pois ou se trabalha com um projeto completo ou então se trabalha com a modularidade de uma forma bastante planejada e inteligente. Veja que, nos dois casos, é na etapa do projeto - antes de tudo - que se vai investir mais tempo e primor, para reduzir as complicações futuras.




quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Obras Acessórias

Mas Não Menos Importantes


Como dito no último post, estamos em um período de planejamento dos próximos passos, uma redução drástica do ritmo da obra para poder ter algum fôlego quando pudermos realmente retomar as ações necessárias para acabar essa novela.

Isso não impediu providenciarmos algumas melhorias e obras que precisavam ser feitas em algum momento. Dentre elas: eletrodutos para entrada e saída de energia, nova tubulação de entrada de água da rua, um dreno para a posteridade e dois pequenos radiers que eram pretensões antigas e parte integrante das providências para as demais obras.

Vamos por partes: a casa antiga era habitada, ou seja, tinha toda a estrutura básica de entrada de água e energia. Por que então refazer? Bom, embora da área de tecnologia, sou engenheiro e essa é uma casa de um engenheiro. Não me conformaria com um duto de 3/4 com um fio de 16 mm, num quadro de 12 disjuntores. Isso atenderia uma casa pequena como ela era, não as necessidades de uma carga instalada de 48.920 watts, considerando todos os circuitos do projeto elétrico, ligados ao mesmo tempo. E não tem nada que me deixe mais put...frustrado do que tentar fazer um serviço simples de levar um fio do quadro de força até o poste de entrada de serviço e ser barrado por um duto pequeno ou tortuoso de mais. Não caprichei nos projetos e na execução para depois, durante o desfrute da casa, me deparar com esse tipo de impedimento. Ainda mais considerando que eu mesmo faço esse tipo de serviço e me estressaria bastante nesse caso. Passamos então 3 eletrodutos corrugado, de 63 e 40 mm, da entrada de serviço (poste) até o quadro, com caixas de passagem de alumínio a cada 15 metros no máximo e assim deixar o caminho livre para iniciar a elétrica.

A entrada de água acabou sendo refeita por tabela, uma vez que para abrir as valas para o dreno e os eletrodutos, tivemos que contratar uma mini-escavadeira e durante o trabalho o cano e o que mais estava alí enterrado foi removido.

Já o dreno, esse um sonho antigo, acaba parecendo piada na atual situação das represas do Cantareira. Como já falei aqui algumas vezes, estamos em área de várzea, sujeita a alagamentos em situações específicas. Quando as represas do Cantareira estão completamente cheias como aconteceu no final de 2009, são abertas as comportas e isso eleva o nível dos rios da região. Nível alto + várzea = alagamento. Como subimos bastante todo o nível do terreno e se formou uma vala entre meu terreno e o vizinho, existia alí um risco de termos água empoçada na ocasião de chuvas muito fortes ou alagamentos. Não haveria como fazer esse dreno no futuro, sem danificar as tubulações de água e energia, então era o momento, decidimos por fazer aquilo que se fará valer a pena durante a situação extrema de uma inundação, algo bem distante da realidade do momento, mas não totalmente descartada para daqui alguns bons anos caso as represas se recuperem.

Os dois radiers e um muro de arrimo para suportá-los, são melhorias e novas construções além do projeto inicial da casa. Um aumenta a área pavimentada da casa, criando uma varanda no quarto voltado para o fundo. O outro é uma área de pequena de 7 x 2,50 m que abrigará um canil e uma pequena oficina, um projeto novo que venho desenhando para acrescentar benfeitorias à casa.

O plano traçado:

Disposição dos dutos

A execução:

Mini-escavadeira que ajudou a abrir as valas
Montando as ferragens e caixarias
Concretagem das vigas

Concretagem do radier
Desempeno

Se a betoneira tivesse vindo com água suficiente, teria ficado melhor...

Concretando o dente do radier original para expandir a área pavimentada e ter mais uma varanda

Agora é só fazer a massa de fundo e regularizar para poder receber o revestimento

E o dreno:

Esticando o tubo drenante da Kanaflex

Enchendo de brita 1
Para depois envolver tudo com a manta geotextil (bidim)
Praticamente 70 metros de tubo drenante

Bastava então cobrir de terra
E assim foi feito
Pudemos então enterrar os eletrodutos acima do dreno e subir o nível da vala no limite do terreno
O que sempre foi uma vontade antiga, reduzir grandes desniveis e valas no terreno pós terraplenagem
Já consigo imaginar tudo gramadinho e uma bela piscina, nem que seja de plástico...rs


Um dia tudo isso vai realmente valer a pena e ser motivo de orgulho, servindo a família e amigos, sendo um lar de mais conquistas e qualidade de vida. É o que temos perseguido, dia após dia.




E chegaremos lá!





segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Lento Sim, Parado Nunca!

E o tempo correndo...


Hoje, 06/10/2014, completam-se 2 anos desde que tomamos posse e passamos a figurar entre o grupo dos bem-venturados que possuem casa própria. Desde então porém, não moramos lá nem sequer um dia, consequência claro das escolhas que fizemos.

Não me sinto frustrado, apesar de ter feito planos bem audaciosos e com prazos bem menores para estar definitivamente morando em minha casa. Prefiro pensar que todo esse tempo está sendo necessário para que esses planos sejam devidamente concretizados, da melhor forma possível e que em algum momento, quando estiver morando na minha casa própria, isso faça valer a pena todo o esforço e espera.

Fato é que, como sabíamos e além do que imaginávamos, uma obra do porte da nossa casa, na nossa realidade, é um projeto difícil de concluir. Claro que o fator mais pesado é o financeiro, caso contrário as demais dificuldades todas seriam superadas. O problema é que quanto a isso não há muito a ser feito e todas as demais frentes ficam paralisadas esperando alguma providência.

Mas nem tudo está parado! Ao tempo em que nada efetivamente grande acontece, vamos trabalhando com serviços mais simples e igualmente necessários, situações em que o investimento é menor, a mão de obra possa ser eu mesmo ou que não sejam tão onerosas e possam ser feitas aos poucos, estilo conta-gotas.

Hoje a situação é a seguinte: faltam os acabamentos todos - elétrica, gesso, portas e janelas, revestimentos, pedras, louças, metais. Estimo entre R$ 40 e 50 mil reais para concluir, algo que não temos e com certeza não será fácil de conseguir. Deixei de sofrer por isso, foquei então em dividir essas necessidades em partes pequenas e torná-las possíveis independente da ansiedade pelo resultado final.

Dessa forma, continuo ainda resinando paredes (3ª demão em tudo, a primeira após o rejunte), cuidando da selva ao redor (roçando, aplicando herbicida, evitando morcegos intrusos) e providenciando pequenos serviços que sejam base para as necessidades maiores que citei acima. Assim esperamos avançar, pouco a pouco, no sentido do nosso sonho incansável e persistente de fincar morada e desfrutarmos de toda essa dedicação.

Fica então de alento, uma foto que um dia espero que faça parte do passado que nos levou até lá, assim como são hoje as fotos do início das obras, marco que já deixamos para trás e que por isso nos incentiva a seguir batalhando.








segunda-feira, 16 de junho de 2014

Dilema da Escada

O Não Planejado Torna-se Complicado


Lá no ano passado, quando ainda estávamos no levante da alvenaria, surgiu uma sugestão de uma pessoa alheia a todo o projeto que viria a mudar pouco mas profundamente a casa e um cômodo em específico. Foi o que abordei em dois posts antigos, como o Mudanças em Vôo e Mezanino.

Ocorre que, como toda mudança de última hora, não houveram só benefícios, temos agora uma "pequena" consequência para lidar nessa fase de acabamento. Como esse mezanino não foi devidamente planejado, temos agora que pensar na escada de acesso ao mesmo, algo que poderia estar muito bem definido no projeto e tornar bem mais simples a execução.

De fato a complicação desse novo espaço foi mínima. A alvenaria praticamente não teve grandes alterações, não foram necessárias mudanças de espaços e o ganho foi além de ter um novo cômodo - um futuro escritório. O ganho maior foi não precisar colocar abaixo uma laje toda, o que daria bem mais trabalho do que simplesmente elevar as paredes acima dessa laje, o que já seria feito independente da existência do cômodo.

Mas como nem tudo são flores, surgiu dificuldade no acesso a esse segundo piso uma vez que o espaço do hall onde poderíamos lançar uma escada é reduzido e impede que seja feito como gostaria que fosse, com medidas suficientemente confortáveis e possibilidades muitas de fazer uma bela escada. Ao longo da construção quebrei a cabeça com a tal Lei de Blondell que "estabelece a seguinte equação como fórmula correta para que o utilizador possa desempenhar a tarefa de subir as escadas: 2 espelhos + 1 piso = 64cm". Logo, "a relação ideal é espelho=18cm e piso=28cm". Se consideramos que a altura a se vencer é de 2,50 m de piso a piso, dividindo isso pela altura ideal dos espelhos (18 cm), chegamos a necessidade de 14 espelhos (arredonda pra cima). Dentro desse paradigma, teria espelhos de 17,857 cm e pisos de 28,28 cm (cálculos, vide referência). Perfeito, estamos dentro da Lei de Blondell e com medidas bastante confortáveis. O problema aparece quando calculamos quanto de espaço a escada vai ocupar na planta baixa, seu comprimento horizontal. Nessa linha, seriam 13 pisos de 28,28 cm, o que totaliza 3,67 metros. Simplesmente não temos esse comprimento no hall, estamos limitados a 3,35 m e há ainda uma porta a se considerar exatamente na parede onde poderia ficar encostada a escada. Uma imagem explica melhor:



Essa vista frontal representa esse local:



Logo, não conseguiria colocar uma escada reta nesse local, obstruiria de alguma forma a porta e não permitira um acesso adequado. Passei então para olhar as caracóis, escadas em espiral com raio mínimo de 1,20 m. Ficaria assim, na melhor das hipóteses (exaustivamente imaginadas):


Acabei tendo que virar amigo do AutoCAD

Como ficaria a visão estando no quintal da casa, na porta dos fundos que dá acesso ao hall:



Resolveria o problema de espaço, mas apresentaria dois riscos: o leque da escada ocuparia a passagem para a porta dos fundos da casa, alguns degraus ficariam em uma área de movimentação e em baixa altura (+/- 1,60 m). Também tem o fato de que, com o raio de 1,20, descontando corrimão dos dois lados e tubo central (4"), teria uma escada com largura de 50 cm, extremamente pouco! Não estava feliz.

Eis que me lembrei de Santos Dumont, o nosso pai da aviação (perdeu irmãos Wright!), que desenvolveu uma escada de meio degrau em sua casa em Petrópolis, onde se sobe alternando a pisada, para facilitar a subida nessa escada que costuma ser instalada em inclinação bem superior a uma escada reta comum. Inicialmente, os vários contatos que fiz para orçar opções para minha casa, disseram não ser possível construir uma escada assim lá. Me desencorajaram, quase fui na caracol, mas tenho certeza que ia me arrepender e viver reclamando daquele trambolho obstruindo meu hall, minha visão do fundo da casa e meu pôr-do-sol, motivo pelo qual quis fazer uma porta de 1 metro no fundo da casa, alinhada com a passagem da sala para o hall (nascente e poente visível do sofá da sala). Se eu não fosse insistente...

Até que nas pesquisas, me deparei com isso:



Isso era exatamente o que eu procurava em visual, em espaço, em todos os detalhes. Não sei exatamente a projeção original desse modelo, mas tratei logo de chamar um serralheiro, fazer contato com marceneiros/carpinteiros e discutir com eles sobre meu projeto. Essas escadas costumam ser instaladas com inclinação de 60º com relação ao piso, o que a faz com que ela ocupe pouco espaço na planta baixa. Com menos de 2 metros consigo colocar uma escada que vença os 2,50 m, sobrando espaço para um patamar e um recuo na entrada da escada. Algo como:



Claro que não será uma escada totalmente segura e confortável. Mas como o acesso a esse ambiente deve ser restrito e dado que essa é a solução mais harmoniosa que atende a necessidade sem tantos poréns, acredito que será essa a saída que adotaremos. Se toda em madeira ou ainda se estrutura em ferro e degraus em madeira, ainda não sei. Estou atrás dos orçamentos e na batalha para avançar a obra até que tudo esteja pronto para receber essa escada, que completará o cômodo mais charmoso da casa.




quinta-feira, 22 de maio de 2014

Um Brinde à Evolução

De 13/04/2013 a 27/04/2014


Mais de um ano depois, há um misto de sensações e sentimentos com relação a todo esse projeto.

É sem dúvida um dos projetos mais complexos e intensos ao qual nos dedicamos, natural então que fosse marcado por dificuldades e um progresso lento. Claro que tudo isso está pautado pela dificuldade financeira, o que potencializa todos os extremos e nos coloca em desvantagem. Porém esse fator faz com que cada vitória tenha um grande significado e dá sentido a cada etapa, cada peça, cada gota de suor dedicada a tudo isso.

Hoje, 1 ano, 1 mês, 9 dias e 7 horas desde o início dos trabalhos, eu particularmente convivo com diversas sensações angustiantes, outras estimulantes e algumas várias incertezas. Chegamos tão longe com isso tudo e agora falta tão "pouco" para concluir nosso sonho que a ansiedade toma conta e certas vezes atrapalha o discernimento. É como estar tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Não conseguimos o montante necessário para terminar e sequer temos uma expectativa disso. Ao constatar isso, o desânimo nos toma conta.

Quase que ao mesmo tempo, ao estar lá, trabalhar na lida com o mato, com resina, com as tarefas que executo eu mesmo para economizar e também pela higiene mental que isso me proporciona, volto a sentir o estímulo de continuar batalhando, reconhecendo o grande avanço e a grandeza do que foi construído, gerando aquela força interior que me faz voltar a sentir motivação.

Nesses últimos dias tenho sido bombardeado com lembranças aleatórias dos estágios dessa obra, flashes de memórias e imagens das situações mais marcantes. Lembranças como o primeiro dia em que algumas paredes foram demolidas, uma sensação conflitante de caos com progresso. Ou a sensação de andar dentro da casa com o aterro interno que fizemos para elevar o contrapiso, barro por toda parte, um cenário de guerra. As horas e horas com trena na mão, prumo, nível, andando de um lado para o outro, conferindo as primeiras fiadas. A sensação de estar na laje da antiga casa, vendo as novas paredes crescendo ao redor. Os medos e aflições do que estava por vir, hoje tudo coisa do passado, itens superados.

Com essas lembranças na cabeça, quando paro e olho para o presente, o que está alí construído, me encho de esperança novamente, reafirmo meu compromisso de terminar tudo aquilo da exata maneira que eu e minha família sonhamos. Consigo até prospectar o momento em que vou poder sentar em uma rede, descansar de toda essa batalha e relembrar com orgulho toda luta para chegar até ali. Tem sido o processo de realimentação da força interna que me faz continuar dedicado e motivado.

As imagens abaixo são uma pequena amostra da imensidão de memórias que tenho em minha cabeça. Só quem está ali no dia-a-dia da obra, só quem botou a mão na massa para algo ser feito, é que pode ter esse privilégio de dizer: eu construí isso tudo, dinheiro nenhum fez isso por mim.






De outro ponto de vista: