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domingo, 30 de junho de 2013

Hidráulica e Elétrica

Implicações da Construção Modular


Se ao mesmo tempo em que se faz necessário um projeto hidráulico/elétrico completo e detalhado desde o início da obra, por outro lado há uma facilidade maior de se instalar a tubulação durante a evolução da alvenaria. Não há margem para erro, mas também não tem muito espaço disponível para errar. A tubulação só tem um local para passar, o furo do tijolo, logo prumadas, registros, conexões de sifão e caixas de luz também vão estar nessa posição, o que de certa forma deixa bem claro e definido o que deve ser feito, gerando menos trabalho por não haver quebra-quebra e preenchimento com massa para fixar tudo na parede.

Mas claro, nem tudo são flores. Pode ser que registros fiquem além da profundidade mínima na parede, seja necessário utilizar mais conexões do tipo luva para "sair" de dentro do tijolo facilitando conexões de sifão ou torneiras ou ainda uma caixinha de luz 4x4 pode acabar inviável pelo recorte necessário. Tudo isso aconteceu na minha obra. O que citei da falta de padronização dos tijolos talvez tenha parte da culpa nisso.

A falta de padronização não facilita também para os fabricantes de materiais hidráulicos e elétricos produzirem produtos que atendam a necessidade dessas obras estruturais e modulares usando tijolo solo-cimento (ecológico). Não encontrei de fato nada realmente direcionado isso e que resolvesse esses problemas acima. Existem prolongadores para registros, foi possível utilizar luvas antes dos adaptadores roscáveis das saídas de água quente e fria, deixamos as caixinhas 4x4 de lado, travamos as conexões dos sifões dentro do vão do tijolo para facilitar depois, etc. São coisas que certamente vão aparecer e terão de ser resolvidas "durante o voo". 

Outro problema que "apareceu", foi uma decisão arbitrária que o empreiteiro tinha tomado, fugindo do projeto. Decidiu por ele mesmo que toda hidráulica quente e fria viria de cima, o que a princípio eu não via problema, exceto por não ter sido consultado e mesmo assim já haviam 5 fiadas assentadas assumindo isso como verdade. Resultado: quando o engenheiro foi conferir a obra sobrou carcada para todo lado - com razão diga-se de passagem. E lá se foi correr atrás do prejuízo, quebrando os tijolos da primeira fiada para prender os joelhos das tubulações que passariam pela parede. Não fiquei nada satisfeito com isso, mas realmente passar pelo piso é melhor, uma porque reduz a quantidade de tubulação na parede - situação melhor para manutenção, bem como deixa mais simples a distribuição sem que seja necessário usar mais canaleta para sair passando cano horizontalmente na parede. Imagine descer com a prumada do banheiro, passar por um registro, distribuir no misturador do chuveiro, correr para a pia, ducha higiênica, vaso sanitário, etc. Ia existir cano corrento em todo perímetro do banheiro!

Por isso a necessidade de se respeitar o projeto e claro, ter um projeto bem pensado e elaborado.

O resultado foi esse:
Pia da Cozinha
O jeito certo de assentar a primeira fiada com hidráulica no contrapiso
Suíte Master - Vaso sanitário e Box
Suite Master - Pia com duas cubas
Detalhe do misturador e registros
Exemplo da conexão do sifão que ficou embutida
Banheiro Social

Enfim, erros acontecem em qualquer lugar, não seria diferente numa obra que é um projeto bem complexo. Vale até um post a parte sobre os erros que aconteceram até agora na minha obra. A seguir, cenas do próximo capítulo.


sábado, 29 de junho de 2013

Cintas de Amarração

Exigências Estruturais


Geralmente, em obras térreas, são feitas duas cintas de amarração que percorrem a casa toda, em 1,10 e em 2,20m. Essas cintas (comumente chamadas de verga e contra-verga ou cinta e percinta) são nada mais do que um tijolo tipo canaleta (veja exemplo em O Famoso Tijolo Solo-cimento / Ecológico) por onde correm duas barras de ferro e são preenchidas com concreto. Tem a função similar a de uma viga horizontal presente na alvenaria convencional, com a diferença de que percorrerão a casa toda nessas alturas, não só em grandes vãos livres, portas e janelas. São primordiais para a sustentação das paredes, para que esse imenso Lego tenha a devida amarração entre todas as paredes, internas ou externas, distribuindo a carga das fiadas posteriores e telhado.

Exemplo da cinta na altura de 1,10:

Vergalhão 5/16 "corre" pela canaleta e é amarrado nos grouts verticais. A canaleta então é preenchida com cimento, pedrisco e areia média.
Note que devem ser preservadas as furações dos tijolos por 2 motivos: passagens hidráulicas/elétricas e também para manter a coluna de ar que existirá na furação dos tijolos, o que concede isolamento termoacústico ao tijolo solo-cimento (ecológico).

Para realizar esse trabalho, muitas são as possibilidades, mas há um meio prático e barato de fazê-lo:

Copos descartáveis!
Os copos descartáveis vão proteger o furo do tijolo que não deve ser preenchido. Onde há grouts e ao longo da canaleta, tudo é preenchido com concreto.



E assim será por toda a casa, em todas as paredes, sendo arrematados apenas em vãos de porta ou janelas que tenham peitoril mais baixo do que a altura da canaleta. O pedreiro deve ter o capricho de usar um tijolo inteiro nos cantos ao invés da canaleta, para não deixar o concreto aparecendo na face da parede (perfil).

Assim as paredes vão subindo com segurança e firmeza. A casa começa a se impor:










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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Subindo a Alvenaria

Ganhando forma


Primeira fiada assentada, como disse no post anterior, a velocidade dos demais assentamentos é muito maior. Utilizando-se de cola PVA (cola branca), vai sendo montanda a alvenaria com extrema facilidade. 

Há sim outras opções para assentar o tijolo, como uma argamassa própria e bem fina por exemplo, mas a cola é suficiente e amplamente adotada. Com ela não há fenda entre uma fiada e a superior, facilitando o nivelamento e ajudando na aparência final, quando for feito o rejunte. Comprei a cola em barrica de 50 kg, ainda não sei precisar o rendimento, mas até o final da obra vou ter essa ideia. Fui até Indaiatuba buscar essa cola na Carbominer Cargas Minerais, fui bem atendido por lá e foi o melhor preço que encontrei.


No assentamento das próximas fiadas, mantêm-se a preocupação com o nível e esquadro, começa também a preocupação com o prumo. Também surgirá o momento de recortes para embutir caixas e pontos de luz, conexões hidráulicas, etc. Para quem é extremamente detalhista como eu, mais tensão. 

O grande problema de uma obra de uma obra de tijolo aparente para alguém assim é que qualquer detalhe faz toda a diferença. Para dar um exemplo, para mim é importante que o recorte para as caixinhas de luz fiquem sempre na mesma posição do tijolo. Se foi feita no meio entre dois tijolos, em todos os locais quero que seja feito assim. Pode ser doença isso, alguma síndrome (TOC talvez), mas eu sou assim, gosto de tudo obedecendo algum padrão, seja lá qual for. Nisso você acaba sofrendo por antecipação, se cobra demais e repassa a cobrança para o executor da obra. No final das contas, por mais capricho que exista, coisas saem fora do planejado e é melhor se (me) acostumar com isso.

De qualquer forma, o trabalho tem sido bem executado. O trabalho com as caixas de luz por exemplo, me satisfez. Escolhi usar caixinhas ao contrário da maioria das outras obras que vi, onde optam por não usar caixinha e até mesmo conduíte, uma vez que o furo do tijolo realmente oferece proteção e arrefecimento da fiação, além de ser muito mais prático somente furar o tijolo já assentado com uma serra copo e colocar buchas depois para fixar os espelhos de luz. Mas como já tinha percebido na casa "antiga", isso não funciona muito bem. Se precisar ficar mexendo nos espelhos, o tijolo esfarela onde fica a bucha, vai soltando tudo, enfim...não é legal. Conduíte também resolvi usar por uma questão de organização e segurança. Anti-chama, impede a umidade de ficar em contato com os fios, é alguma barreira (alerta) contra uma furadeira inconsequente...não será esse custo que vai tornar minha obra inviável.

Resultados em ordem cronológica:

09/06/2013













Dia 15/06, chegamos as citadas caixinhas:

15/06/2013





As caixinhas no detalhe: foi cortado o fundo delas para ser mais fácil chegar no conduíte. Foram coladas com cola branca PVA no tijolo, para não ficarem soltas. Se soltarem algum dia, uso uma cola mais forte.

 Dessa etapa em diante a evolução é muito grande e isso gera uma empolgação bacana. Tirando as tensões que não cessam, é para mim a parte mais gostosa até agora. No próximo post ilustrarei as obrigações da alvenaria estrutural.







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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Primeira Fiada

Momento Crucial


Fundação feita, é chegada a hora de assentar a primeira fiada do tijolo solo-cimento (ecológico), a única que é feito na argamassa de cimento. É crucial e delicada essa etapa pois todas as fiadas posteriores vão depender do nivelamento, esquadrejamento e modulação dessa primeira. Qualquer problema dessa ordem que se tenha na primeira fiada, vai ser amplificada e dificilmente corrigida nas demais.

Por isso que esse momento leva mais tempo do que as demais fiadas. Deve ser feito com cuidado e atenção, sempre com uso de ferramentas como nível de bolha e um esquadro, ambos sempre o mais longos possíveis, pois assim conseguem garantir a medição do encontro de vários tijolos. Ideal também que se use uma argamassa impermeabilizada, pois isso evitará que a umidade suba pelo tijolo, que geralmente apresenta bastante absorção.

Outro detalhe importante é a observação obrigatória da modulação prevista em planta. Toda a primeira fiada da casa é feita com tijolos inteiros, deve se considerar onde haverá paredes grampeadas, ou seja, onde há o encontro de uma parede perpendicular a outra, sem que uma transpasse a outra. Negligenciar isso gera problemas de modulação como paredes fora de medida ou com medidas não múltiplas da medida do tijolo, descasamento do padrão intercalado, fendas contínuas no meio de uma parede, necessidade de incluir meio-tijolo no meio de uma fiada e outros cenários. Tudo isso é bem fácil de acontecer nesse imenso Lego.

O primeiro passo que o pedreiro realiza é definir o ponto de referência para as medições. Assim podem ser definidos outros pontos de onde partirão as linhas que servirão de base para o assentamento da primeira fiada. A partir desse ponto de referência, inicia a montagem da primeira fiada, sem assentá-la. É apenas a montagem do esboço da alvenaria, serve para validar se a modulação está correta, evitando problemas enquanto eles ainda são facilmente corrigíveis. Nessa montagem, não há vão livre, abertura de portas e janelas, o tijolo é colocado no perímetro da casa toda.

Ilustrando:

Esticando as linhas e posicioando os tijolos
03/06/2013
Problemas podem ser antevistos antes de assentar, evitando maiores prejuízos
Primeira fiada sempre com tijolo inteiro
Validam-se as medidas dos comodos
Nesse meio tempo o telhado da casa foi removido
Modulação verificada, pode começar o assentamento.

* Detalhe da casa sem o telhado, recai naquilo que disse de ampliação. No meu caso, eu tinha uma casa, passei a não ter durante o processo, para no final voltar a ter outra casa maior.

Vou ilustrar em um post a parte todos os erros que tive e que podem acontecer nesse tipo de obra, mas nesse momento acima surgiu alguns problemas a se resolver, coisas que somente montando a primeira fiada se poderia detectar.

O assentamento dos tijolos geralmente é feito com 2 cm de massa, mas na minha casa foi feita com mais por conta da opção de passar a tubulação hidráulica de água limpa pelo contrapiso. Fiquei bastante na dúvida na época, mas assumi como melhor opção passar pelo contrapiso ao invés de descer sempre de cima, minimizando a quantidade de canos na parede, o que pode ser melhor para eventuais manutenções que surjam ou até mesmo para evitar furar um cano fixando um quadro (se bem que, tendo o projeto completo, só sendo negligente para cometer esse erro).

Após a primeira fiada é que são feitos os furos na fundação para fixação das barras de ferro que fazem parte dos grouts. São nesses lugares em que haverá preenchimento do furo dos tijolos com concreto para fortalecer a estrutura da parede, em uma função similar a colunas. O vergalhão é colado no concreto com cola epoxy específica (usamos a Compound Adesivo da Vedacit/ Otto  Baumgart). Esse adesivo "trava" completamente o vergalhão no concreto, é bem seguro. A bitola do vergalhão é definida no projeto,  sendo necessário critério na escolha, algo que somente um engenheiro tem condições de fazer.

Esse o momento da primeira fiada foi o mais tenso para mim. Vi várias obras em estágio avançado durante meus estudos sobre o tijolo solo-cimento (ecológico) e muitos erros cometidos. Fiadas fora de nível, paredes fora de esquadro, modulação incorreta, vãos entre os tijolos, situações que estragam por completo a beleza da aparência do tijolo a vista. Como não quero de forma alguma rebocar ou passar gesso nas paredes, me senti muito pressionado e repassei a pressão para o pedreiro por conta de dúvidas e dificuldades encontradas. Ainda tinha um agravante, como se trata de ampliação e estou construindo a parte nova com um tijolo de diferente tamanho do que já está lá (25 cm novo, 30 cm o velho), onde houver junção da alvenaria nova com a antiga, vai existir uma grande diferença de padrão. Nesses locais não vai ter jeito, vou ter que revestir, fazer alguma arte para melhorar o aspecto. Mas o restante da casa tem que ficar impecavelmente nivelado, cantos de parede no esquadro, paredes em prumo, sem tijolos quebrados ou mal posicionados.

E assim foi:

De frente a sala, ao fundo a cozinha já dentro do perímetro da casa "antiga". A direita parte de um dormitório.
Sr. Camilo no trabalho de lego, dentro do banheiro social.

A porta de entrada da sala será aí.
Entrada pro hall dos quartos
Conduítes subindo já dentro do furo do tijolo.

Aí de frente fica a varanda e a suíte master.
Detalhes dos grouts
Parede da cozinha
Detalhe do alinhamento do tijolo. De noite não favoreceu, mas mostra o quanto eu estava tenso. Atingiram  a quarta fiada em 1 dia.

Agora sim a casa começa a aparecer e a alvenaria subirá rápido, pois para assentar os tijolos basta passar cola na face superior do tijolo assentado e colocar o outro por cima, seguindo a padronização da montagem.






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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Fundação 2 - Concretagem

Tomando Forma!


Chegou o grande dia da concretagem do Radier. Um dia de sol entre nuvens, temperatura agradável e tempo úmido: perfeito para a cura do concreto, que depende da umidade para uma melhor cura.

Optamos pelo concreto FCK 20 MPA, é o suficiente para o contrapiso de uma casa, incluindo o espaço em que usaremos como garagem. Os preços das empresas de mistura da massa são quase que tabelados e a agenda deles bastante concorrida, um sinal de que a construção civil está em pleno vapor.

Nessa busca, quem melhor me atendeu foi a ExtraMix / Concrebase, um braço do Grupo Base que é bem grande e sério. Me deu a segurança necessária e cumpriu o acordado.

O bruto chegando para descarregar - 23/05/2013

Foi utilizado uma bomba para chegar a todos os locais da casa
Colocando a segunda malha e posicionando a mangueira da bomba
Logo começou a diversão
Enquanto alguns espalham com esses "rodos", outros vão puxando a malha para ela ficar no meio do Radier e também a régua ou sarrafo para nivelar com as marcações feitas previamente
Decidi pelo Radier com 15 cm, uma laje e tanto
Depois de um longo e exaustivo dia, missão cumprida!


  
Foram 40 m³ de concreto usinado, 5 caminhões de 8 m³. Veja só o que faltou, um pequeno buraco que não daria nem 1 m³
Úmido desse jeito fica até bonito de se ver!

As esperas de esgoto e elétricas
Foi só nesse momento que passei a ter uma dimensão melhor das coisas
Interno também! Olha a altura que ficou o espelho de luz. Vamos ter que mudar, claro.
A lateral também ficou bastante alta com o calçamento que fizemos. A ideia é um escoamento pluvial e um deck para evitar que alguma criança caia no vão que ficou bem alto.

 Mais uma meta parcial cumprida em 23/05/2013! Caminho livre para iniciar a alvenaria.