segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Resinando e Impermeabilizando o Tijolo Solo-cimento (Ecológico)

Proteção Obrigatória


Nesses dias que estamos com a obra paralisada, aproveitamos para botar a mão na massa (mais um pouco aliás) e aplicar a resina acrílica que confere ao tijolo a impermeabilização e proteção contra erosão/esfarelamento, fungos, manchas, além de conferir brilho (opcional). Esse passo antecede o rejunte, pois com a resina aplicada não há risco do rejunte manchar a face do tijolo, visto que o tijolo solo-cimento (ecológico) absorve qualquer líquido que tenha contato com ele, podendo manchar profundamente.

O trabalho é bastante simples, qualquer um pode executar. Porém, devo dizer, é bastante angustiante pois parece meio como enxugar gelo. 

Optei inicialmente pela Resina Acrílica a Base de Água Incolor da Hydronorth. Comprei uma lata pequena e quis fazer exatamente como prevê o fabricante: apliquei primeiro o Selator Acrílico Hysotherm em uma pequena porção de uma parede e aguardei o processo de secagem (4 horas). Feito isso, apliquei a primeira demão da resina, utilizando um rolo de pelo curto. Bom, aí entra a angústia: usei 1 lata pequena de 3,6 litros de cada produto por completo em uma parede de 10 m² e a aparência não mudou em absolutamente nada! Era como simplesmente nada tivesse sido feito. Como cada lata de 3,6 litros da resina custa em torno de R$ 44,00 e a base seladora R$ 22,00, era como se tivesse rasgado R$ 66,00. Me senti frustrado.

Eu já tinha o histórico da casa antiga, onde o tijolo apresentava brilho na superfície e mesmo com horas de chuva, não absorvia água. Quando comprei a casa, cheguei a encontrar um galão de 18 litros dessa mesma resina, só que na versão comum, a base de solvente. Na época, sem conhecimento nenhum, joguei o resto que tinha na lata fora. Não imaginava como custava caro. Não entendia o porque de não ter chegado nem próximo do resultado do tijolo antigo e queria saber onde foi que errei ou qual era o problema. Pensei comigo: serão necessárias outras demãos, fato. Deve ser isso!

Tomei coragem, fui até a loja de tintas e comprei um galão de 18 litros da mesma resina a base d'agua, ao custo de R$ 177,00. Comprei também cerveja e carne para um churrasco (itens motivacionais), chamei os amigos e lá fomos nós aplicar no restante da casa. Fizemos todo o interior até a altura de 2,20 m. A sensação frustrante continuava: passa o rolo, fica a aparência de molhado, 10 minutos depois você olha para área onde já "pintou" e não aparece nada, não dá para diferenciar onde já foi aplicado, um p* trabalho ingrato! Não contente, comprei outro galão e fiz a parte de cima até a altura de laje, para não dizer que ficou faltando algum pedaço. Resultado? Nada, nenhum indício de um final de semana todo rolando o rolo na parede e gastando 36 litros de resina. Só vi diferença quando joguei água na parede, quando a água na face do tijolo escorreu sem ser absorvida, sem deixar o tijolo com aspecto de molhado. OK ok, o efeito hidrorepelente eu consegui, mas e o brilho?

Eis o resultado de como ficou:

Parede do balcão após 2 demãos

Pensei muito sobre qual opção eu queria para esse acabamento, que existe nas opções: fosco, semi-brilho ou brilho. Achei que fosco não fosse suficiente para valorizar a proteção da resina e achei que semi-brilho pudesse ser o meio termo desejado. Ocorre que, na versão a base d'agua não há essa opção e o resultado que percebi é que essa versão fica imperceptível na parede. Isso, além de parecer serviço inútil, poderia dificultar em detectar quais áreas a resina já saiu e precisa ser aplicada, algo que em 2 ou 3 anos com certeza se mostrará necessário nas paredes externas mais expostas. Passei a considerar então que o brilho poderia conferir aspecto de limpeza, além de ressaltar a percepção de proteção e reduzir um pouco a rusticidade das paredes. O brilho para mim, está ligado a cuidado, a zelo. Como já pude evidenciar na casa antiga, não chega a ser algo destoante, é um brilho sutil. Refiz então minha escolha e fui atrás da resina a base de solvente, um pouco mais cara que a base d'agua.

Comprei uma trincha para poder atingir os vãos das juntas entre os tijolos, algo que o rolo não consegue. Paguei outros R$ 63,00 em um galão de 3,6 litros da Resina Acrílica Hydronorth, agora a base de solvente e na versão brilho. Apliquei na área onde já havia aplicado a resina a base d'agua, o que poderia me gerar algum problema, tendo em vista que o solvente iria repelir a resina a base d'agua, gerando problemas de fixação. Lixar tudo estava fora de cogitação e como a resina penetra no tijolo, não conseguiria removê-la de qualquer forma. Não me restava escolha.

Feriado, minha casa, mão na massa...programão!

Já nas primeiras passagens do rolo percebi grande diferença. O filme que a resina a base de solvente proporciona é bem mais grosso e visível, a percepção da cobertura da área onde estava aplicando era muito maior do que na resina a base d'agua. Era realmente aquilo que eu procurava. Apliquei na alvenaria do balcão da cozinha, único local onde havia aplicado 2 demãos da resina a base d'agua, justamente para testar se eu teria problema na fixação da resina a base de solvente. Por sorte, nada de errado aconteceu, a resina aderiu bem e conferiu um ótimo acabamento. As fotos abaixo ilustram o resultado durante o processo de secagem da primeira demão. O brilho ameniza um pouco após a cura total, assim que terminar o serviço na casa toda (2 demãos interno e externo) tiro mais fotos para ilustrar o resultado final.







O que percebi desse processo todo:

- Pode chamar os amigos, o vizinho, o pai, a mãe, o serviço é fácil, não exige muita habilidade, só é importante que todos se protejam bem para não ficar em contato demasiado com a resina (inalação e contato com a pele). Se necessário, lance mão de técnicas ardilosas como chamar a turma para um churrasco pré-inauguração, exclusivo aos convidados, oportunidade única. Quando eles lá estiverem, um rolo na mão de cada um e ao trabalho! :)

- Prepare um bom dinheiro para esse processo, pois o tijolo solo-cimento absorve muito mais que um tijolo a vista comum (cozido) e o rendimento apresentado na lata do produto pode ser ligeiramente menor nas primeiras demãos;

- O selador pode até conferir algum benefício a longo prazo, mas por hora eu só percebi que onde ele foi aplicado, o resultado fica mais uniforme ao aplicar a resina. Depois de seco não faz mais diferença, mas enquanto ainda úmido da resina, dá para perceber que onde há o selador, o tijolo absorve a resina por igual, sem que fique manchas ou lugares em que parece ter absorvido mais do que outras. Depois de seco, nada mudou. Aboli esse passo então, pois não achei que estivesse valendo a pena. Preferi aplicar mais demãos da resina e ter mais proteção, do que gastar com o selador - que mais parece uma resina hiper concentrada;

- Só aplicar com o rolo não é suficiente. No ressalto entre os tijolos o rolo não dá conta de fazer a aplicação, então uma trincha ou compressor são desejáveis.

- Resina a base d'agua, apesar de tida como ecologicamente correta (ou pelo menos, menos tóxica) e fácil de trabalhar (bem menos odor e benzeno), não confere brilho. Se a ideia é não conferir brilho e manter o aspecto original do tijolo, é uma boa opção, mais econômica (tanto em preço, quanto rendimento) do que o silicone que tem resultado semelhante;

- Lave todas as paredes antes de aplicar o produto e deixe-as secar bem. Só passar uma trincha ou vassoura não limpa completamente e a poeira resinada em cima do tijolo o deixa áspero;

- Existe um outro fabricante, a Viapol, que produz a resina 100% acrílica, sem estireno. Pelo que me informei, essa resina é mais resistente a ação dos raios solares, portanto mais duradoura. O preço é quase que o dobro da que optei usar, da Hydronorth. Se dinheiro não é problema ou a área a aplicar é pequena, vale a pena fazer um teste para verificar se há superioridade;

- A resina (tanto base água ou solvente) não muda a cor do tijolo, o que é desejável com um produto incolor;

- Faça testes em uma pequena área da alvenaria para chegar ao resultado que procura e se familiarizar com o processo.



terça-feira, 5 de novembro de 2013

Desventuras com Tijolo Ecológico e a Falta de Honestidade

A Fragilidade Do Paradigma da Construção com Tijolo Ecológico


Uma grande preocupação quando comecei a me inteirar sobre o assunto, foi encontrar mão-de-obra qualificada e acima de tudo honesta. Qualificada porque construir com tijolo solo-cimento (ecológico) requer conhecimento sobre alvenaria estrutural, sobre aspectos e exigências do tijolo em questão e extremo cuidado e zelo pela aparência, por se tratar de alvenaria de tijolo a vista, ou seja, não haverá o reboco para esconder eventuais falhas. A honestidade entra em campo para tornar a contratação interessante para os dois lados, com ciência plena de todas as dificuldades, características e implicações do projeto, além da responsabilidade a ser honrada pelo executor sobre tudo que for feito.

Meu maior medo era que minha casa apresentasse problemas que me tirassem a satisfação de ter me empenhado a construir um projeto personalizado. Sem falar no medo de ter prejuízos e retrabalhos. Vi pessoalmente obras cujo resultado era exatamente aquilo que eu não queria ter. Senti o desgosto no lugar dos proprietários e obtive histórico de várias obras fracassadas ou com resultados insatisfatórios. O medo aumentava a medida que descobria que até quem é do ramo, como por exemplo arquitetos, acabam tendo problemas com mão-de-obra e tinham o resultado de sua construção diferente do esperado.

Nessas pesquisas descobri o fator comum entre esses fracassos: a incompetência do construtor. Se essa possibilidade pode existir (e frequentemente existe) no paradigma de construção convencional, quando se trata de alvenaria estrutural e tijolo solo-cimento (ecológico), as implicações de um serviço mal feito são muito maiores. Há questões importantíssimas de segurança, durabilidade, usabilidade/manutenção e claro, o aspecto visual que acaba escancarando os problemas todos das fases anteriores.

Os principais problemas que notei foram: falta de nivelamento das fiadas, falta de esquadro e prumo, problemas de modulação e intersecção de alvenarias, descuido com a distribuição das fendas entre os tijolos, inobservância do correto dimensionamento dos grouts e descuido com a aparência, no que se refere a cimento escorrido, tijolos quebrados, etc. Para quem é detalhista como eu, um erro desses atormenta toda vivência na casa, mas o grande problema é: a casa é segura para se morar nela?

É justamente esse tipo de resultado que afasta as pessoas da construção usando tijolo solo-cimento e continua a propagar os preconceitos, medos e desconfianças sobre o tijolo. Resultados assim servem de base para quem vive a criticar o paradigma e de fato, enche de argumentos as pessoas que não confiam nesse método. Não tiro-lhes a razão, se eles conhecem uma obra que não teve sucesso, isso já virou um conceito formado diante de um fato concreto.

O grande ponto de tudo isso é a falta de honestidade do construtor em mostrar suas fragilidades, ser sincero quanto a sua capacidade e a falta de responsabilidade em assumir erros. Infelizmente isso passa por valores pessoais que são raros hoje em dia, especialmente quando envolve dinheiro.

Meu intuito com esse post é alertá-los que existem muitos profissionais (se é que podemos chamá-los assim) que podem transformar o sonho de construir sua casa, no pesadelo de sua vida. Se a construção já não é tarefa fácil diante de um cenário perfeito e de sucesso, imagina quando os problemas são recorrentes. Para ilustrar isso, gostaria de trazer a tona o resultado da sra. Cátia Barbosa de Búzios/RJ, que está tendo várias dificuldades após a contratação de um construtor incapaz de concluir a construção com qualidade e segurança. Na ânsia de divulgar sua situação e alertar demais interessados sobre a importância de um bom profissional (bem como as consequências de um mal profissional), ela criou o blog (desativado) que ilustrará os defeitos que ela encontrou durante o processo construtivo.

Muita coragem e desprendimento dela em expor o ocorrido. Claro que não é uma situação confortável divulgar detalhes do fracasso de nossos sonhos, mas o desejo de evitar que outras pessoas cometam o mesmo erro é uma atitude louvável. Quero parabenizar a Cátia pela atitude, pois isso só fortalece o paradigma da construção com tijolo solo-cimento (ecológico), uma vez que acrescenta ao mundo de informações sobre o tema, também resultados de insucesso e pontos de atenção. É por esse tipo de situação e para evitar que isso seja recorrente, que iniciei esse blog e agora com esse exemplo da Cátia, essa ideia ganha ainda mais força.

Fica aqui registrado meu repúdio a esse tipo de profissional e o desejo de que pouco a pouco, esse trabalho signifique o fim de profissionais como esse, que não honram seus nomes e perdem seus valores como pessoas.

<O blog foi desativado e outra página entrou no local>